Carta ao Campo Pequeno | João Ribeiro Telles

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Carta ao Campo Pequeno

Notícia

Coruche, 18 de setembro de 2017

Exmos. Senhores,

Acabado de chegar dos Estados Unidos da América, fui confrontado com a indignação de várias pessoas perante as declarações que sobre mim foram proferidas pelo Senhor Rui Bento, Diretor das Atividades Tauromáquicas dessa empresa, em conferência de imprensa que recentemente teve lugar na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Depois de tourear na feira da Moita, eu próprio, tive oportunidade de ouvir uma gravação dessas declarações, na qual é possível perceber que fui acusado de pouca correção, pouca seriedade, falta de respeito pelo público e pela Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno, SA. São acusações muito graves e despropositadas que não pretendo deixar passar em claro, embora não queira alongar-me muito sobre este assunto. Daí dirigir-me a V.Exas, considerando também a forma e o local utilizados para serem proferidas tais acusações.

A fundamentação das acusações estaria sustentada no facto de, segundo o Senhor Rui Bento, já a meio da época, ter chegado a um "princípio de acordo" com o meu apoderado que depois não viria a ser cumprido por mim próprio. As restantes alegações são impercetíveis, pois não quero crer que, não tendo chegado a acordo no início da temporada com o Senhor Rui Bento, este entenda que eu estaria vinculado às posições assumidas nessa negociação até ao fim dessa mesma temporada. Ou seja, será possível que o Senhor Rui Bento entenda que, tendo ele recusado o cachet que lhe propus no inicio da época, eu ficaria vinculado a manter a mesma proposta até ao momento em que ele achasse por bem aceitá-la?

Por outro lado, será que um suposto "principio de acordo", como o próprio Senhor Rui Bento o denomina, justifica as acusações que me fez? A informação de que disponho e que tenho como verdadeira, é que o Senhor Rui Bento foi devida e expressamente informado de que, para as corridas em causa, eu não aceitaria ser contratado pelos valores que havia pedido no início da temporada. Felizmente que tenho a liberdade de, em face de várias circunstâncias e da ponderação de fatores de diversa ordem que o Senhor Rui Bento tão bem conhece, apresentar, em cada momento, as propostas que entendo, tendo em conta o que julgo ser o melhor para minha carreira, ainda que isso implique não tourear no Campo Pequeno.

Mas, eu sou toureiro e o Senhor Rui Bento, para além de outras funções, é Diretor de Atividades Tauromáquicas, pelo que, sem deixar de ter uma opinião que guardo para mim, não devo questionar os critérios de contratação dessa empresa ainda que, na minha opinião meramente pessoal, possam ser, nalguns casos, incompreensíveis. Limito-me a apresentar as propostas que acho, mal ou bem, adequadas e justas, sujeitando-me a que possam não ser aceites. Sem acusar ninguém de falta de correção, de seriedade ou de falta de respeito pelo público ou por mim.

O Senhor Rui Bento foi um grande toureiro e sabe o que significa abdicar de tourear no Campo Pequeno numa temporada como esta. Sabe o que isso custa. O Senhor Rui Bento teve um papel fundamental no relançamento desta nova era da Praça de Toiros do Campo Pequeno. Estou certo de que está convicto de que as suas decisões, para além de racionais em termos económicos, espelham a vontade dos aficionados. Só que eu fui ensinado a não prescindir dos meus princípios e dos que tenho vindo a receber por herança familiar. Como o estou a fazer agora, não deixando de escrever esta carta e este esclarecimento, mesmo sabendo que a nova temporada vem já aí.

Tendo em conta que as afirmações em causa foram proferidas em conferência de imprensa e difundidas por diversos meios, reservo-me o direito de divulgar esta carta publicamente.

Com os meus melhores cumprimentos
João Ribeiro Telles